Dia #365 Desafio completo!

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Parece que foi ontem, mas também parece que foi em outra vida. Há um ano, eu estava insatisfeita com a quantidade de roupas no meu armário e com as contas que não paravam de chegar. Resolvi fazer uma faxina geral, nas tralhas e no resto.

Comecei pelas tralhas e me livrei de 80% do guarda-roupa. Me desafiei a viver este ano só com as roupas que couberam na mala e sem comprar nada novo. Achei que seria difícil. Foi nada.

Este ano simplificou a minha vida, renovou o meu espírito. Consegui atingir o primeiro objetivo, que era me libertar do consumismo. Mas uma transformação nunca chega só, vocês sabem, ela vem como a ondinha da praia, uma depois da outra.

Mudei de casa, cabelo, perspectivas, opiniões. Chego hoje ,no último dia do projeto, com uma certeza: ele ainda não acabou. Todo dia é um novo desafio. Todo momento é o momento certo de nos questionar e evitar mais uma compra desnecessária. As reflexões não acabam nunca e eu vou continuar por aqui, no mesmo endereço, esperando vocês.

Obrigada por me acompanhar.

 

5 problemas para quem quer parar de comprar por impulso (resolvidos)

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Existem vários motivos que tornam uma comprinha nova algo tão irresistível. Eles não são os mesmos para todos, mas depois de sobreviver a um ano sem compras, descobri todos os meus gatilhos e aprendi a lidar melhor com cada um deles. Reconhecer os primeiros sinais me ajudou a escapar de uma nova compra por impulso. E pode funcionar com você também.

Problema 1: As coisas maravilhosas da internet
Compras online sempre foram uma perdição para mim. Não importa o quão específico era o meu desejo do dia, eu certamente o encontraria em alguma lojinha, completamente disponível, adoravelmente ao alcance de um clique. E são tantas inspirações pipocando o tempo todo na timeline do Instagram, Facebook, Pinterest… Na internet, o caminho para o que você quer é curto demais. E isso pode levar a uma sequência de compras desnecessárias (e algumas peças que não caíram tão bem assim, ou foram uma completa decepção).

A solução: Reduza o apelo da sua timeline
O e-commerce é uma ótima solução da vida moderna. Se nós o transformamos em problema, é preciso virar o jogo. Aproveite a grande oferta da internet para ser mais exigente, comparar cada produto e fazer uma compra consciente. Pare de tratá-lo como um catálogo de compras infinito. Além disso, eu recomendo fazer uma limpa  nos perfis e páginas que você segue. Algumas marcas e blogueiras podem estar estimulando o seu consumo de maneira não muito saudável. Experimente substituí-los por outros tipos de inspiração. 

Problema 2: A compra emocional
Depois de um dia de cão, estamos emocionalmente frágeis. Ficamos frustradas porque as coisas não acontecem sempre do jeito que queremos. E compra é controle. Você só precisa passar o cartão para ter em mãos o objeto que deseja. Isso pode comprometer o seu orçamento lá na frente e deixá-la realmente triste, criando um ciclo eterno de compras por impulso. Aqui também incluímos a compra por tédio. Uma compra nova é sempre uma novidade que dá graça ao dia-a-dia. Mesmo que seja uma coisa baratinha, dificilmente foi um ato consciente e acaba resultando em mais uma compra desnecessária. 

A solução: Procure uma atividade que lhe dê prazer
Fique longe do shopping nos dias difíceis. Tente fazer algo que você goste, como assistir aquela maratona de série que você ama, tomar um banho demorado e fazer um interminável ritual de beleza, desenhar, pintar, cantar, dançar, correr, ler, costurar, cozinhar, namorar… A satisfação nessas atividades são mais baratas e duradouras do que uma comprinha nova. 

Problema 3: As liquidações imperdíveis
A chance de você comprar algo que nunca vai usar durante uma liquidação é imensa. O melhor é nem entrar. O desconto tem um poder de persuasão tão grande que consegue fazer uma mulher adulta comprar um sapato que não serve (true story). E nem preciso falar das promoções do tipo compre 1 leve 2. Esta é a maneira mais rápida de você entulhar o armário com coisas que você não gosta. 

A solução: Passe longe
Eu sei que a sensação de fazer um grande negócio é sedutora. Mas, acredite, você não está fazendo economia ao comprar um produto que não queria por menos 70%. O melhor desconto é o de 100% quando você consegue dizer não e volta para casa com ar de vitória. Os produtos que você realmente precisa e deseja tem sempre o melhor custo-benefício. Mesmo fora da promoção.

Problema 5: O passeio no shopping
Desde que inventaram o shopping center, fazer compras virou sinônimo de lazer. Nada podia ser mais insustentável para a nossa saúde financeira e para o planeta. É um lugar de fato muito agradável, tem ar condicionado, muitas vitrines coloridas e uma praça de alimentação cheia de opções de fast-food, mas acho que poderíamos ser mais exigentes ao procurar programas para nos divertir.

A solução: Faça turismo na sua própria cidade
Minha cidade natal é pequena, tem cerca de 30 mil habitantes, e mesmo assim eu ainda não conheço tudo o que ela tem para oferecer. Todas as cidades estão cheias de cantinhos desconhecidos e novas descobertas. Para fazer um grande passeio, nem é preciso ir muito longe. Desbrave a sua própria cidade!

Problema 4: A compra para o futuro
Como diz o grande Paulinho da Viola, o nosso tempo é hoje. Gostamos de idealizar o futuro e comprar coisas para o dia em que viajarmos para o Nordeste, para quando tivermos uma reunião importante, para quando rolar aquela festa ou para quando emagrecermos cinco quilos. Quando eu fiz uma limpa no meu armário e fiquei só com as peças que cabiam em uma mala, fiquei impressionada com a quantidade de roupas que não tinham nada a ver com a minha vida. 

A solução: Apenas pare.
Ame-se do jeito que você é. Use o que você gosta. Compre apenas o que serve e fica bem em você. O nosso corpo e o dia de hoje são as únicas coisas que nós temos.

Imagem: Imagens Good Vibes com Frases Polêmicas 

 

 

 

Teste da Cher: se não for pra usar durante 30 anos, não compre

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A Cher apareceu usando uma blusa que já foi vista quando eu ainda nem era nascida. São 30 anos de relacionamento entre a deusa do pop e a regata “eat the rich“. Essa imagem viralizou pela internet porque todos nós achamos o máximo que a Cher use a mesma blusa desde 85.

Mas não deveria ser normal?

Esses momentos servem pra gente perceber como o conceito de fast fashion inverteu os nossos valores. Quais são as peças do seu armário que sobreviveriam com você pelos próximos 30 anos?

No meu caso, poucas. Das 50 peças que eu escolhi para o meu desafio, a maioria está bem desgastada depois de um ano de uso. Quase todas eram compras de fast fashion, frutos do consumismo.

Em 20 de julho o desafio acaba. Estou refletindo sobre várias mudanças que aconteceram durante este período e que eu pretendo adotar daqui pra frente. Uma delas é o teste da Cher:

Se não for para usar durante 30 anos, não compre.

Por que gostamos tanto de comprar roupas?

Roupas legais vendem status. Isso acontece desde que o mundo é mundo, muito antes do dinheiro existir. Os astecas, por exemplo, compravam seus objetos com chocolate. Quanto mais sementinhas de cacau, mais coisas você poderia comprar, logo, mais bacana você se tornava aos olhos da comunidade.

As roupas já serviam para mostrar ao mundo o quão cool você poderia ser incrementando mais cores, plumas e joias no look.

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Blogueiro de moda asteca

De lá para cá muitas reviravoltas balançaram o nosso mundinho, mas continuamos em busca de roupas bonitas para ganhar prestígio. Curiosamente, a tendência asteca voltou com tudo numa coleção da Farm em 2014. Eu queria tudo, óbvio.

Sendo assim, não é difícil entender por que gostamos tanto de comprar roupas. Complicado é perceber que precisamos parar. Ou, melhor dizendo, temos que transformar a maneira desvairada com a qual temos consumido moda nos últimos anos.

Eu precisei abrir mão de 80% do meu guarda-roupa e ficar só com 50 peças para provar para mim mesma que eu não precisava de tanta coisa. Meus amigos continuaram meus amigos, consegui me vestir toda manhã e me senti arrumada, e ninguém me apontou na rua gritando “credo, essa jaqueta de novo?“.

A peça mais importante que eu aprendi a usar durante este projeto foi autoconfiança. E isso não se compra com semente de cacau nem cartão de crédito. Uma roupa maravilhosa até consegue esse efeito nas primeiras vezes, mas tudo passa quando deixa de ser novo.

O buraco é bem mais embaixo e vamos precisar escavar todas essas camadas de convenção social que foram acumulando ao longo dos anos. Pra ajudar nesta tarefa sem fim, é sempre bom lembrar que:

goodenough
Você é boa o bastante