O que fazer depois do desafio? Novas regras para o Less is the new black

Passei um ano sem comprar roupas novas e vivendo com o que coube na minha mala: 50 peças. Disso você já sabe. Se está chegando por aqui agora e quer entender o desafio, eu conto tudo nos posts anteriores do blog.

Eu estava com algumas ideias sobre o que fazer em seguida, mas não queria tomar nenhuma decisão sem saber como seria esse pós desafio. Tirei férias do blog, observei e refleti muito antes de formular definitivamente o que será este projeto de agora em diante.

Assim que acabou o meu ano sem compras, muitos acharam (eu mesma, inclusive) que a primeira coisa a fazer seria, naturalmente, comprar. Mas demorou até isso acontecer. Sem dúvida consegui acabar com as compras por impulso durante o desafio. Só por isso já teria valido a pena. Mas a mudança foi muito mais profunda. E isso eu também já expliquei aqui.

Três meses se passaram sem comprar nada novo. Mas eu comecei a entrar novamente nas lojas e experimentar muita coisa. Eu nunca gostei de experimentar roupas, achava trabalhoso e desnecessário. Realmente, é trabalhoso, mas extremamente necessário. É a única maneira de aprender o que funciona bem em você. Comprar sem experimentar é garantia de mais uma peça abandonada no armário.

E não queremos mais peças abandonadas no armário, certo?

Para evitar voltar a acumular coisas agora que eu me permiti a comprar, minha primeira decisão é continuar com o número de peças que tenho hoje. Decidi que esta quantidade de roupas funcionou bem para mim, cabe na minha mala, deixou o meu guarda-roupa mais organizado e a minha vida mais simples.

Então, o desafio continua com as seguintes regras:

  1. Viver bem com 50 peças de roupas.
  2. Para entrar uma roupa nova no armário, outra tem que sair.

Sou grata ao guarda-roupa que me acompanhou no último ano. Ele funcionou muito bem, não senti falta de nada e vivi feliz da vida com o que eu tinha. Aprendi muito com ele e chegou a hora de fazer algumas mudanças. É preciso. A vida muda, a gente muda.

No ano passado, ao escolher as peças que ficariam, optei pelas roupas com as quais eu conseguiria fazer o maior número possível de combinações. Foi uma aposta segura. Hoje, estou mais confiante e sei que dá pra se virar lindamente com uma quantidade limitada de roupas. Estou pronta para incluir mais cores e estampas nesse caldo.

Com isso em mente, comecei a pensar em algumas substituições para o meu novo armário cápsula. Mas isto já é assunto para o próximo post onde conto tudo o que entra, o que sai e o porquê. Aqui vai só um preview:

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Peças novas:

Body preto (roubado da mãe)
Saia pareô chevron (Loja Três)

 

 

6 coisas que eu aprendi vivendo apenas com uma mala de roupas

Durante este ano de desafio muita coisa mudou. Acho que ficou muito claro para quem me acompanha aqui no blog o quanto esta experiência transformou a minha relação com o consumo e comigo mesma. No começo, você acha que é sobre roupas ou sobre economizar dinheiro. Mas na verdade é muito mais.

Resolvi fazer um resumão sobre o que passou. Para quem está chegando agora e também para quem lê o blog desde o comecinho e quer saber como estou me sentindo agora.

Aqui está o que eu aprendi:

1. Reduzir as coisas simplifica a vida. Ter mais do que você precisa gera bagunça e o excesso nos deixa confusas. Lá atrás do armário vivem muitas peças escondidas que você sequer lembra que existem. É daí que vem a sensação de nunca ter o que vestir. Vai por mim, com menos peças no armário você vê tudo o que tem de uma vez e fica muito mais fácil se arrumar. Sem falar que escolhendo apenas aquelas roupas que você gosta, a chance de sair de casa satisfeita é muito maior.

2. Passamos 80% do tempo usando apenas 20% das nossas roupas. Este é o princípio de Pareto livremente adaptado para o guarda-roupa, mas realmente funciona! Quando eu me livrei de 80% das minhas roupas, admito que bateu uma insegurança no início, mas sabe o que aconteceu? Mesmo ficando com um número bem reduzido de roupas, existem algumas que eu simplesmente não usei durante o ano inteiro! Ou seja, o número do que cada um precisa pode variar, mas provavelmente ainda pode ser menor do que o que você já tem.

3. Comprar é um mau hábito. Estamos o tempo inteiro sendo estimuladas a comprar mais, mais e mais. Isso nos leva a uma sequência de compras por impulso que, no final da história, se mostram desnecessárias. Nos primeiros três meses, foi difícil ficar sem comprar. Mas logo percebi que nada mudou na minha vida por deixar de ter isso ou aquilo. Depois que a vontade passa, você entende que realmente não precisa de mais coisas e aprende a evitar todos os gatilhos que a fazem comprar por impulso.

4. As comprinhas devoram o seu orçamento. Aquele armário entulhado de coisas que você não usa representa uma boa soma em dinheiro. Para saber exatamente de quanto estamos falando, vale a pena somar tudo o que você gastou no último ano. A resposta pode surpreender. Na verdade, gastamos com coisas que não valorizamos e daí nunca sobra dinheiro para fazer o que realmente queremos, como viajar, estudar ou colocar em prática aqueles planos que exigem um pouco mais de grana. Perceber isso pode melhorar e muito a sua vida financeira.

5. O estereótipo da mulher consumista é uma armadilha. Esta história de que mulher compra demais porque é fútil é uma grande injustiça. Depois de uma porção de centenas de anos julgando a mulher pela aparência, não é difícil entender por que gastamos tempo e dinheiro com isso. O consumismo feminino está diretamente ligado ao padrão de beleza que somos pressionadas a seguir. O melhor antídoto pra isso é aprender a se conhecer e gostar de si mesma. Quem está satisfeita não precisa comprar pra ser feliz.

6. Menos é mais. Pra tudo na vida. Quando você consegue se colocar no lado de fora da engrenagem do consumismo, descobre a cilada em que estamos metidos. Todas essas coisas que acumulamos à nossa volta custam mais do que dinheiro, custam também tempo, energia e qualidade de vida. Se esforçar para viver com menos faz você enxergar com clareza o que antes passava despercebido. Descobre o que te traz mais satisfação e custa zero reais. Só que isso eu não posso revelar aqui porque são coisas diferentes para cada pessoa, e cada um precisa trilhar o próprio caminho. Mas a minha dica é que você comece logo e aproveite muito.

O que fazer com as roupas que não servem mais?

Resposta rápida: Livre-se delas.

Resposta completa: A primeira coisa que Marina faz quando acorda é abrir o armário para escolher o que vestir. E todos os dias ela precisa bater o olho na calça 38, que já não serve há um tempo, mas está aguardando o retorno triunfal. Pega rapidamente a legging e a bata comprida porque sempre cabem e cobrem direitinho o que ela quer esconder. Quando é dia especial, até experimenta os vestidos maravilhosos de cinco anos atrás, mas eles apertam, ou nem fecham.

É senso comum que essas peças no armário servem de estímulo para voltar ao que era antes e por isso Marina continua com aquele jeans ali. Um lembrete diário do que um dia foi ou deveria ser o seu manequim. É uma forma bem desagradável de dar bom dia para si mesma.

Este é um hábito que eu tinha e eu sei que muitas de vocês também porque a pergunta é frequente aqui no blog. Então, gostaria de dar algumas sugestões para o que fazer com essas roupas, mas todas significam tirar isso aí do seu armário.

Você pode estar emagrecendo ou não. Você pode estar tentando ou não. Mas esse “incentivo” que até parece positivo, na verdade, é mais uma forma de se colocar pra baixo e dizer para si mesma que você não é como “deveria”. É uma maneira injusta de deixar a sua vida em modo de espera, de adiar seus planos para um momento futuro, quando você finalmente vai usar aquelas roupas e ser feliz.

Mas o melhor dia para sentir-se bem é hoje. O seu corpo de agora é o único que existe. Você acordou com ele e vai dormir com ele, de maneira que é melhor tratá-lo bem. Troque a sua mensagem matutina de insatisfação por alegria. Como? Vestindo uma roupa confortável, respeitando as suas medidas e o seu gosto pessoal. Se você só tem um par de roupas que servem agora, não significa que precisa emagrecer instantaneamente. Significa que você precisa fazer compras.

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E a calça 38 e os vestidos maravilhosos?

Doe: A experiência vivendo com uma mala de roupas me ensinou que ter poucas peças que respeitem a nossa vida atual é um ótimo jeito de simplificar a vida e nos tornar mais conscientes e satisfeitas de modo geral. Por isso, não vejo motivo nem espaço para manter as roupas que não servem aí no seu armário. Isso vai aliviar a sua ansiedade e trazê-la para o presente. Desapega.

Venda: Se você está sem grana para sair comprando coisas novas agora, pode vender as peças que não servem e usar o dinheiro para comprar roupas que servem. Claro que você vai gastar um tantinho a mais nessa troca, mas é um investimento que vale a pena. Ter um guarda-roupa que serve em você é importante. Usando roupas que gosta e caem bem, você talvez perceba que pode viver muito bem assim e desencana do número do jeans. Afinal, é só um número.

Guarde: Se desencanar não é o seu caso e você está em processo de emagrecimento, tudo bem também. Mas as roupas que ainda são menores do que você também deveriam sair da vista. Guarde tudo em uma mala e esqueça disso por um tempo. Faça as pazes com o seu momento presente. Quando estiver à procura de peças menores, você pode fazer compras no seu próprio armário e resgatar essas peças. Vai ser um sentimento muito mais positivo do que o peso da presença daquele jeans todas as manhãs de todos os outros dias.

Se você se identificou com o texto, recomendo o blog Não sou exposição

Dia #365 Desafio completo!

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Parece que foi ontem, mas também parece que foi em outra vida. Há um ano, eu estava insatisfeita com a quantidade de roupas no meu armário e com as contas que não paravam de chegar. Resolvi fazer uma faxina geral, nas tralhas e no resto.

Comecei pelas tralhas e me livrei de 80% do guarda-roupa. Me desafiei a viver este ano só com as roupas que couberam na mala e sem comprar nada novo. Achei que seria difícil. Foi nada.

Este ano simplificou a minha vida, renovou o meu espírito. Consegui atingir o primeiro objetivo, que era me libertar do consumismo. Mas uma transformação nunca chega só, vocês sabem, ela vem como a ondinha da praia, uma depois da outra.

Mudei de casa, cabelo, perspectivas, opiniões. Chego hoje ,no último dia do projeto, com uma certeza: ele ainda não acabou. Todo dia é um novo desafio. Todo momento é o momento certo de nos questionar e evitar mais uma compra desnecessária. As reflexões não acabam nunca e eu vou continuar por aqui, no mesmo endereço, esperando vocês.

Obrigada por me acompanhar.

 

5 problemas para quem quer parar de comprar por impulso (resolvidos)

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Existem vários motivos que tornam uma comprinha nova algo tão irresistível. Eles não são os mesmos para todos, mas depois de sobreviver a um ano sem compras, descobri todos os meus gatilhos e aprendi a lidar melhor com cada um deles. Reconhecer os primeiros sinais me ajudou a escapar de uma nova compra por impulso. E pode funcionar com você também.

Problema 1: As coisas maravilhosas da internet
Compras online sempre foram uma perdição para mim. Não importa o quão específico era o meu desejo do dia, eu certamente o encontraria em alguma lojinha, completamente disponível, adoravelmente ao alcance de um clique. E são tantas inspirações pipocando o tempo todo na timeline do Instagram, Facebook, Pinterest… Na internet, o caminho para o que você quer é curto demais. E isso pode levar a uma sequência de compras desnecessárias (e algumas peças que não caíram tão bem assim, ou foram uma completa decepção).

A solução: Reduza o apelo da sua timeline
O e-commerce é uma ótima solução da vida moderna. Se nós o transformamos em problema, é preciso virar o jogo. Aproveite a grande oferta da internet para ser mais exigente, comparar cada produto e fazer uma compra consciente. Pare de tratá-lo como um catálogo de compras infinito. Além disso, eu recomendo fazer uma limpa  nos perfis e páginas que você segue. Algumas marcas e blogueiras podem estar estimulando o seu consumo de maneira não muito saudável. Experimente substituí-los por outros tipos de inspiração. 

Problema 2: A compra emocional
Depois de um dia de cão, estamos emocionalmente frágeis. Ficamos frustradas porque as coisas não acontecem sempre do jeito que queremos. E compra é controle. Você só precisa passar o cartão para ter em mãos o objeto que deseja. Isso pode comprometer o seu orçamento lá na frente e deixá-la realmente triste, criando um ciclo eterno de compras por impulso. Aqui também incluímos a compra por tédio. Uma compra nova é sempre uma novidade que dá graça ao dia-a-dia. Mesmo que seja uma coisa baratinha, dificilmente foi um ato consciente e acaba resultando em mais uma compra desnecessária. 

A solução: Procure uma atividade que lhe dê prazer
Fique longe do shopping nos dias difíceis. Tente fazer algo que você goste, como assistir aquela maratona de série que você ama, tomar um banho demorado e fazer um interminável ritual de beleza, desenhar, pintar, cantar, dançar, correr, ler, costurar, cozinhar, namorar… A satisfação nessas atividades são mais baratas e duradouras do que uma comprinha nova. 

Problema 3: As liquidações imperdíveis
A chance de você comprar algo que nunca vai usar durante uma liquidação é imensa. O melhor é nem entrar. O desconto tem um poder de persuasão tão grande que consegue fazer uma mulher adulta comprar um sapato que não serve (true story). E nem preciso falar das promoções do tipo compre 1 leve 2. Esta é a maneira mais rápida de você entulhar o armário com coisas que você não gosta. 

A solução: Passe longe
Eu sei que a sensação de fazer um grande negócio é sedutora. Mas, acredite, você não está fazendo economia ao comprar um produto que não queria por menos 70%. O melhor desconto é o de 100% quando você consegue dizer não e volta para casa com ar de vitória. Os produtos que você realmente precisa e deseja tem sempre o melhor custo-benefício. Mesmo fora da promoção.

Problema 5: O passeio no shopping
Desde que inventaram o shopping center, fazer compras virou sinônimo de lazer. Nada podia ser mais insustentável para a nossa saúde financeira e para o planeta. É um lugar de fato muito agradável, tem ar condicionado, muitas vitrines coloridas e uma praça de alimentação cheia de opções de fast-food, mas acho que poderíamos ser mais exigentes ao procurar programas para nos divertir.

A solução: Faça turismo na sua própria cidade
Minha cidade natal é pequena, tem cerca de 30 mil habitantes, e mesmo assim eu ainda não conheço tudo o que ela tem para oferecer. Todas as cidades estão cheias de cantinhos desconhecidos e novas descobertas. Para fazer um grande passeio, nem é preciso ir muito longe. Desbrave a sua própria cidade!

Problema 4: A compra para o futuro
Como diz o grande Paulinho da Viola, o nosso tempo é hoje. Gostamos de idealizar o futuro e comprar coisas para o dia em que viajarmos para o Nordeste, para quando tivermos uma reunião importante, para quando rolar aquela festa ou para quando emagrecermos cinco quilos. Quando eu fiz uma limpa no meu armário e fiquei só com as peças que cabiam em uma mala, fiquei impressionada com a quantidade de roupas que não tinham nada a ver com a minha vida. 

A solução: Apenas pare.
Ame-se do jeito que você é. Use o que você gosta. Compre apenas o que serve e fica bem em você. O nosso corpo e o dia de hoje são as únicas coisas que nós temos.

Imagem: Imagens Good Vibes com Frases Polêmicas