6 coisas que eu aprendi vivendo apenas com uma mala de roupas

Durante este ano de desafio muita coisa mudou. Acho que ficou muito claro para quem me acompanha aqui no blog o quanto esta experiência transformou a minha relação com o consumo e comigo mesma. No começo, você acha que é sobre roupas ou sobre economizar dinheiro. Mas na verdade é muito mais.

Resolvi fazer um resumão sobre o que passou. Para quem está chegando agora e também para quem lê o blog desde o comecinho e quer saber como estou me sentindo agora.

Aqui está o que eu aprendi:

1. Reduzir as coisas simplifica a vida. Ter mais do que você precisa gera bagunça e o excesso nos deixa confusas. Lá atrás do armário vivem muitas peças escondidas que você sequer lembra que existem. É daí que vem a sensação de nunca ter o que vestir. Vai por mim, com menos peças no armário você vê tudo o que tem de uma vez e fica muito mais fácil se arrumar. Sem falar que escolhendo apenas aquelas roupas que você gosta, a chance de sair de casa satisfeita é muito maior.

2. Passamos 80% do tempo usando apenas 20% das nossas roupas. Este é o princípio de Pareto livremente adaptado para o guarda-roupa, mas realmente funciona! Quando eu me livrei de 80% das minhas roupas, admito que bateu uma insegurança no início, mas sabe o que aconteceu? Mesmo ficando com um número bem reduzido de roupas, existem algumas que eu simplesmente não usei durante o ano inteiro! Ou seja, o número do que cada um precisa pode variar, mas provavelmente ainda pode ser menor do que o que você já tem.

3. Comprar é um mau hábito. Estamos o tempo inteiro sendo estimuladas a comprar mais, mais e mais. Isso nos leva a uma sequência de compras por impulso que, no final da história, se mostram desnecessárias. Nos primeiros três meses, foi difícil ficar sem comprar. Mas logo percebi que nada mudou na minha vida por deixar de ter isso ou aquilo. Depois que a vontade passa, você entende que realmente não precisa de mais coisas e aprende a evitar todos os gatilhos que a fazem comprar por impulso.

4. As comprinhas devoram o seu orçamento. Aquele armário entulhado de coisas que você não usa representa uma boa soma em dinheiro. Para saber exatamente de quanto estamos falando, vale a pena somar tudo o que você gastou no último ano. A resposta pode surpreender. Na verdade, gastamos com coisas que não valorizamos e daí nunca sobra dinheiro para fazer o que realmente queremos, como viajar, estudar ou colocar em prática aqueles planos que exigem um pouco mais de grana. Perceber isso pode melhorar e muito a sua vida financeira.

5. O estereótipo da mulher consumista é uma armadilha. Esta história de que mulher compra demais porque é fútil é uma grande injustiça. Depois de uma porção de centenas de anos julgando a mulher pela aparência, não é difícil entender por que gastamos tempo e dinheiro com isso. O consumismo feminino está diretamente ligado ao padrão de beleza que somos pressionadas a seguir. O melhor antídoto pra isso é aprender a se conhecer e gostar de si mesma. Quem está satisfeita não precisa comprar pra ser feliz.

6. Menos é mais. Pra tudo na vida. Quando você consegue se colocar no lado de fora da engrenagem do consumismo, descobre a cilada em que estamos metidos. Todas essas coisas que acumulamos à nossa volta custam mais do que dinheiro, custam também tempo, energia e qualidade de vida. Se esforçar para viver com menos faz você enxergar com clareza o que antes passava despercebido. Descobre o que te traz mais satisfação e custa zero reais. Só que isso eu não posso revelar aqui porque são coisas diferentes para cada pessoa, e cada um precisa trilhar o próprio caminho. Mas a minha dica é que você comece logo e aproveite muito.

O que fazer com as roupas que não servem mais?

Resposta rápida: Livre-se delas.

Resposta completa: A primeira coisa que Marina faz quando acorda é abrir o armário para escolher o que vestir. E todos os dias ela precisa bater o olho na calça 38, que já não serve há um tempo, mas está aguardando o retorno triunfal. Pega rapidamente a legging e a bata comprida porque sempre cabem e cobrem direitinho o que ela quer esconder. Quando é dia especial, até experimenta os vestidos maravilhosos de cinco anos atrás, mas eles apertam, ou nem fecham.

É senso comum que essas peças no armário servem de estímulo para voltar ao que era antes e por isso Marina continua com aquele jeans ali. Um lembrete diário do que um dia foi ou deveria ser o seu manequim. É uma forma bem desagradável de dar bom dia para si mesma.

Este é um hábito que eu tinha e eu sei que muitas de vocês também porque a pergunta é frequente aqui no blog. Então, gostaria de dar algumas sugestões para o que fazer com essas roupas, mas todas significam tirar isso aí do seu armário.

Você pode estar emagrecendo ou não. Você pode estar tentando ou não. Mas esse “incentivo” que até parece positivo, na verdade, é mais uma forma de se colocar pra baixo e dizer para si mesma que você não é como “deveria”. É uma maneira injusta de deixar a sua vida em modo de espera, de adiar seus planos para um momento futuro, quando você finalmente vai usar aquelas roupas e ser feliz.

Mas o melhor dia para sentir-se bem é hoje. O seu corpo de agora é o único que existe. Você acordou com ele e vai dormir com ele, de maneira que é melhor tratá-lo bem. Troque a sua mensagem matutina de insatisfação por alegria. Como? Vestindo uma roupa confortável, respeitando as suas medidas e o seu gosto pessoal. Se você só tem um par de roupas que servem agora, não significa que precisa emagrecer instantaneamente. Significa que você precisa fazer compras.

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E a calça 38 e os vestidos maravilhosos?

Doe: A experiência vivendo com uma mala de roupas me ensinou que ter poucas peças que respeitem a nossa vida atual é um ótimo jeito de simplificar a vida e nos tornar mais conscientes e satisfeitas de modo geral. Por isso, não vejo motivo nem espaço para manter as roupas que não servem aí no seu armário. Isso vai aliviar a sua ansiedade e trazê-la para o presente. Desapega.

Venda: Se você está sem grana para sair comprando coisas novas agora, pode vender as peças que não servem e usar o dinheiro para comprar roupas que servem. Claro que você vai gastar um tantinho a mais nessa troca, mas é um investimento que vale a pena. Ter um guarda-roupa que serve em você é importante. Usando roupas que gosta e caem bem, você talvez perceba que pode viver muito bem assim e desencana do número do jeans. Afinal, é só um número.

Guarde: Se desencanar não é o seu caso e você está em processo de emagrecimento, tudo bem também. Mas as roupas que ainda são menores do que você também deveriam sair da vista. Guarde tudo em uma mala e esqueça disso por um tempo. Faça as pazes com o seu momento presente. Quando estiver à procura de peças menores, você pode fazer compras no seu próprio armário e resgatar essas peças. Vai ser um sentimento muito mais positivo do que o peso da presença daquele jeans todas as manhãs de todos os outros dias.

Se você se identificou com o texto, recomendo o blog Não sou exposição

Dia #365 Desafio completo!

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Parece que foi ontem, mas também parece que foi em outra vida. Há um ano, eu estava insatisfeita com a quantidade de roupas no meu armário e com as contas que não paravam de chegar. Resolvi fazer uma faxina geral, nas tralhas e no resto.

Comecei pelas tralhas e me livrei de 80% do guarda-roupa. Me desafiei a viver este ano só com as roupas que couberam na mala e sem comprar nada novo. Achei que seria difícil. Foi nada.

Este ano simplificou a minha vida, renovou o meu espírito. Consegui atingir o primeiro objetivo, que era me libertar do consumismo. Mas uma transformação nunca chega só, vocês sabem, ela vem como a ondinha da praia, uma depois da outra.

Mudei de casa, cabelo, perspectivas, opiniões. Chego hoje ,no último dia do projeto, com uma certeza: ele ainda não acabou. Todo dia é um novo desafio. Todo momento é o momento certo de nos questionar e evitar mais uma compra desnecessária. As reflexões não acabam nunca e eu vou continuar por aqui, no mesmo endereço, esperando vocês.

Obrigada por me acompanhar.

 

Dia #170 Crie um novo hábito até 12 de março

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Talvez você seja uma pessoa que adora listas e já fez as suas resoluções de ano novo. Pode ser que não seja. Mas – botando no papel ou não – sei que existem desejos de mudança aí no seu coração. Pois agora é o melhor momento para colocá-las em prática. Janeiro é o mês em que naturalmente estamos mais motivados em começar coisas. Aproveite este empurrãozinho para dar o primeiro passo em várias decisões na vida.

Os primeiros 66 dias são os mais difíceis, segundo a teoria do psicólogo Jeremy Dean. Autor do livro Making Habits, Breaking Habits: Why We Do Things, Why We Don’t, and How to Make Any Change Stick (algo como “Criando hábitos e quebrando hábitos: por que fazemos coisas, por que não fazemos e como tornar qualquer mudança duradoura”), ele diz que precisamos repetir um comportamento por 66 dias sem interrupção para que se torne um hábito. O número é uma média apontada em estudos mencionados no livro e pode variar para menos em situações mais simples e para mais em situações mais complexas, mas vamos usar esta média por um momento.

Se você adotar os 66 dias como meta para começar um novo hábito, ele se torna mais realista e mais mensurável do que “para toda a vida” e, por isso, pode ser mais motivador. Se você começar hoje, chegaremos lá em 12 de março. Que tal?

Escolha seu objetivo e se comprometa a cumpri-lo sem exceção até 12 de março:

De hoje até 12 de março eu, _________________ , vou:

(  ) não comprar roupas novas
(  ) melhorar a alimentação
(  ) dormir e acordar mais cedo
(  ) fazer uma atividade física
(  ) ler diariamente
(  ) escrever diariamente
(  ) adicione qualquer hábito que você queira criar na vida

No começo vai ser difícil, mas este exercício pode ser muito valioso. Daqui a dois meses você vai ficar feliz de ter começado hoje.

ilustração: Emma Block

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Veja outros looks com as peças usadas hoje:
short jeans
regata preta
camisa jeans

Lowsumerism – compre menos, viva melhor

A primeira vez que eu ouço falar em lowsumerism é no recente estudo da Box1824, que pesquisa tendências de comportamento e de consumo. O vídeo que apresenta a pesquisa mostra uma timeline do consumismo. Como chegamos onde chegamos e onde isso vai nos levar. Spoiler: não é nada bom.

Por trás de toda publicidade existe a mensagem: “compre isso para ser feliz”. Mas sabemos hoje que o consumo só está nos tornando mais infelizes e ansiosos. Será que não chegou a hora de parar? Reduzir o consumo não é mais uma opção de vida – é uma medida urgente. E toda mudança precisa começar de algum lugar. Que tal, de agora em diante:

  1. Pensar antes de comprar – Quando foi que começamos a acreditar que é normal comprar coisas novas todo mês? Por que precisamos dessas coisas? Normalmente, já temos coisas demais e continuamos comprando. Chega, né?
  2. Ficar só com o que precisa – Se temos menos, usamos mais e cuidamos melhor. Vai lá fazer a limpa no armário. Fica só com o que você realmente usa. Ninguém precisa de tanta coisa.

Vale muito a pena assistir o vídeo e refletir: